Terça, 22 de setembro de 2026
Publicidade
/apidata/imgcache/9baca100f826885f38870a5da818afdf.jpeg?banner=top&when=1790050322&who=294

Mais de um quarto das roraimenses já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por homem

Desse total, 91% relataram violência psicológica e 78%, violência física

Imagem mostra mulher com a mão a frente do rosto, com um "X" em vermelho na palma da mão
(Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

Em Roraima, 28% das mulheres já sofreram violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida. É o que indica o Mapa Nacional da Violência de Gênero, atualizado com os resultados por unidade da Federação da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher. O levantamento, realizado pelo DataSenado em 2025, ouviu 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil.

Entre essas mulheres, 11% afirmaram que algum episódio ocorreu nos 12 meses anteriores à pesquisa, realizada de 16 de maio a 8 de julho de 2025. Em relação aos tipos de violência sofrida, 91% relataram violência psicológica; 78%, violência física; e 82%, violência moral. Em 63% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro da vítima no momento da agressão, percentual muito semelhante ao nacional, de 62%.

Do total de vítimas no estado, 9% ainda convivem com a pessoa que as agrediu, percentual abaixo dos 17% observados no país, e, destas, 90% moram com o agressor. Nas situações de violência mais grave, 46% das entrevistadas afirmaram que o agressor estava com ciúmes, 47% disseram que ele estava bêbado e 46% relataram que ele estava inconformado com o término ou a tentativa de término do relacionamento. Para 79% das mulheres que encerraram o relacionamento com o agressor, a violência teve muita influência na decisão.

Consequências na vida

Os impactos se estendem a diferentes dimensões da vida das vítimas. No Estado de Roraima, 51% das vítimas afirmaram que a violência afetou seus estudos, a maior estimativa entre as unidades da Federação, ante os 42% registrados no Brasil. A mesma proporção, 51%, relatou consequências na vida profissional ou no trabalho remunerado, ante os 46% da estimativa nacional. A rotina diária e o convívio com outras pessoas foram afetados por 69% das vítimas em ambos os casos.

“Os dados ajudam a romper com uma leitura da violência doméstica como um episódio isolado e mostram que a violência não termina quando a agressão acaba. Ela reorganiza a rotina, afeta relações, trabalho, renda e as possibilidades que uma mulher tem de tomar decisões sobre a própria vida. Quando olhamos para esses dados em conjunto, conseguimos entender que enfrentar a violência de gênero exige mais do que responder à agressão: exige políticas capazes de olhar para as condições que permitem que essas mulheres reconstruam suas vidas”, afirma Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número, associação sem fins lucrativos dedicada à produção, análise e comunicação de dados especializados sobre gênero, raça e sexualidade

Serviços e instrumentos de proteção

A pesquisa revela uma diferença importante entre já ter ouvido falar dos serviços e conhecer os direitos e instrumentos de proteção disponíveis. A Defensoria Pública é o serviço de proteção mais conhecido pelas roraimenses, citado por 93% das entrevistadas, seguido pela Delegacia da Mulher, com 89%; pelo CRAS ou pelo CREAS, com 82%; e pelo Ligue 180, com 73%.

Ao mesmo tempo, 68% afirmam conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 12% dizem não conhecer nada sobre a legislação, totalizando 80% com conhecimento superficial ou inexistente. Em relação às medidas protetivas, 69% dizem conhecê-las pouco e 14% não têm conhecimento sobre esse instrumento, totalizando 83% das mulheres.

Os dados indicam ainda que 74% das roraimenses perceberam um aumento da violência doméstica e familiar contra as mulheres nos 12 meses anteriores à pesquisa e que 61% enxergam o Brasil como um país “muito machista”.

Leia Também